sábado, 21 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
e se...
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
inverno

terça-feira, 10 de novembro de 2009
tango

Sentada na cama cantarolando “someone to watch over me”. Lembro-me de um disco de vinil com Linda Ronstadt - que foi cantora de rock e depois caiu na realidade e passou a cantar baladas americanas.
Comprei no Museu do Disco, era importado, custava uma fortuna. Minhas mãos tremiam de excitação quando descobri o disco na loja e vi que podia pagar, eu devia ter uns dezoito anos. Cantei muito com Linda Ronstadt. Sei muitas canções de cor por causa dela....
Hoje escutei “come rain or come shine”. Fazia tempo, essa. Será que o amor é isso mesmo? Algo da ordem do “incondicional”, do tipo “continuarei te amando chova ou faça sol”? Já pensei que sim, depois que não. Pensando bem, é.
O casamento me mostrou o quanto é difícil passar da fase da fantasia para a da cumplicidade (única capaz de manter unidos os casais apaixonados). Esta última depende do conhecimento mútuo e para isso é preciso boa dose de humildade e autoconhecimento. Deveria ser proibido por lei casamento antes dos 40 ou pra quem nunca se submeteu a Psicanálise....
Fiquei muito emocionada ontem à noite. Levei uns CDs para ouvir com amigos e estava tudo indo bem até Madeleine Peyroux começar...Alguns sons deveriam também ser proibidos em certos contextos...
Escutamos também o grupo Bajofondo. Maravilhoso! Estou caindo novamente no comportamento dependente, como é meu costume. Os sintomas se assemelham às do Transtorno Obssessivo-Compulsivo: preciso escutar os primeiros acordes senão nem dou partida no carro. Aí escuto o mesmo CD até ele rachar (o Mardulce, do Bajofondo, deve ter uns dias de vida ainda).
O Bajofondo tem me feito sonhar de novo com o tango, que sempre mereceu lugar especial nas minhas emoções. Cheguei a chorar copiosamente num bar de Buenos Aires, atraindo atenção dos garçons preocupados em acudir a moça que passava mal.
Ah, o tango! Tive dois grandes parceiros de tango na minha vida (tem gente que passa a vida sem nenhum, então já me sinto privilegiada). Expressávamos nossa cumplicidade por meio dos passos, complicados e perfeitos. Uma sincronia possível apenas para os casais que se entendem pelo olhar.
Espero merecer viver isso de novo. Talvez exista um novo parceiro de tango a minha espera. Talvez. Enquanto isso, continuarei cantarolando baladas americanas.
sábado, 7 de novembro de 2009
sábado
Dou a mão à palmatória. Não pensei que fosse admirar tanto o trabalho de alguém, que, na minha fantasia, estaria principiando. Errei feio. A atuação é firme e delicada. A energia e o sentimento, verdadeiros e perturbadores.
O desequilíbrio emocional é derramado aos poucos diante de nós, pobres espectadores, que (na percepção sábia de minha filha de 12 anos) nada podem fazer para aliviar a dor da protagonista agonizante.
Suas referências desaparecem aos poucos: a lembrança dos familiares e amigos limita-se a pequenos objetos, falas soltas e imagens perdidas. Não há relação possível com o mundo como ele se apresenta no tempo presente. Só o passado pode ser vivido. Revivido com o gosto de naftalina das coisas mortas no armário. “Suicídio Social”: é a expressão da sábia de 12 anos.
A palavra que não pode se dita é “morte” (como você não entendeu isso, mãe!). Devia estar distraída, respondi. A emoção foi tanta, que me distraí mesmo. Perdi-me em minhas próprias associações e vivências familiares e na outra “desistência”, a do amigo querido, que se foi há menos de uma semana.
Para uma psicóloga a densidade e intensidade do texto não deixam dúvidas: precisamos desenvolver em nós capacidade de recuperação.
Perdas necessitam de espaço possível para elaboração. Algo muito mais da ordem da cumplicidade e do acolhimento do que da dos rituais fúnebres prestados pela sociedade.
Minha catarse não está completa. Esperemos pelo sábado.
*DESISTÊNCIA - Drama psicológico em cartaz até 18/12 no Teatro X - rua Rui Barbosa, 399 - Bela Vista, tel: 11-3283.2780
Concepção e Interpretação: Carla Juliano
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
desistência
O pai da Laura morreu no “dia dos mortos” e pensei: que dia mais propício (“adequado”, diria meu pai) pra se morrer! Só podia ser um sábio budista: morrer no dia de finados...
Quarenta e oito horas depois almoço com um amigo querido e damos muitas risadas que são interrompidas pela notícia fúnebre: outro que morreu. Não foi de morte matada nem de morte morrida: apenas desistiu. A notícia veio pelo novo smartphone que ainda nem sei usar porque não leio manuais (essa é uma das minhas leis).
Consigo (sei lá como) participar de uma reunião de trabalho. Ensaio relatórios e e-mails. Troco risadas eletrônicas no escritório, espaço onde a subjetividade não é percebida. Melhor assim.
Tento explicar o inexplicável. Durmo. Acordo. Viajo. Na Av. Paulista tudo é rotina, inclusive o desconforto.
Há altos e baixos, movimento típico de bebê que ainda não existe completamente fora da barriga da mãe (pode ser fome, pode ser sede, pode ser falta, pode ser...). Os altos ficam por conta das boas companhias e os baixos, das más.
Hoje lembro da “Desistência”. O título soa quase místico. Preciso saber do que se trata. Decido ir (não há outra “decisão” possível...). Talvez seja minha catarse da semana.
Ou talvez a catarse seja amanhã (que fecha o ciclo dos sete dias), quando finalmente estarei frente a frente com aquele com quem meu desistente desejava me unir com tanta convicção! Como se fosse sua última tarefa. Nosso encontro é, sem dúvida, uma homenagem a ele. Será nossa Cerimônia do Adeus particular.
