terça-feira, 10 de novembro de 2009

tango


Sentada na cama cantarolando “someone to watch over me”. Lembro-me de um disco de vinil com Linda Ronstadt - que foi cantora de rock e depois caiu na realidade e passou a cantar baladas americanas.

Comprei no Museu do Disco, era importado, custava uma fortuna. Minhas mãos tremiam de excitação quando descobri o disco na loja e vi que podia pagar, eu devia ter uns dezoito anos. Cantei muito com Linda Ronstadt. Sei muitas canções de cor por causa dela....

Hoje escutei “come rain or come shine”. Fazia tempo, essa. Será que o amor é isso mesmo? Algo da ordem do “incondicional”, do tipo “continuarei te amando chova ou faça sol”? Já pensei que sim, depois que não. Pensando bem, é.

O casamento me mostrou o quanto é difícil passar da fase da fantasia para a da cumplicidade (única capaz de manter unidos os casais apaixonados). Esta última depende do conhecimento mútuo e para isso é preciso boa dose de humildade e autoconhecimento. Deveria ser proibido por lei casamento antes dos 40 ou pra quem nunca se submeteu a Psicanálise....

Fiquei muito emocionada ontem à noite. Levei uns CDs para ouvir com amigos e estava tudo indo bem até Madeleine Peyroux começar...Alguns sons deveriam também ser proibidos em certos contextos...

Escutamos também o grupo Bajofondo. Maravilhoso! Estou caindo novamente no comportamento dependente, como é meu costume. Os sintomas se assemelham às do Transtorno Obssessivo-Compulsivo: preciso escutar os primeiros acordes senão nem dou partida no carro. Aí escuto o mesmo CD até ele rachar (o Mardulce, do Bajofondo, deve ter uns dias de vida ainda).

O Bajofondo tem me feito sonhar de novo com o tango, que sempre mereceu lugar especial nas minhas emoções. Cheguei a chorar copiosamente num bar de Buenos Aires, atraindo atenção dos garçons preocupados em acudir a moça que passava mal.

Ah, o tango! Tive dois grandes parceiros de tango na minha vida (tem gente que passa a vida sem nenhum, então já me sinto privilegiada). Expressávamos nossa cumplicidade por meio dos passos, complicados e perfeitos. Uma sincronia possível apenas para os casais que se entendem pelo olhar.

Espero merecer viver isso de novo. Talvez exista um novo parceiro de tango a minha espera. Talvez. Enquanto isso, continuarei cantarolando baladas americanas.

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